60 – Transtornos Alimentares na Infância (F. Carnielli)

Ao falarmos sobre transtornos alimentares, rapidamente nos lembramos da anorexia e da bulimia, assuntos amplamente falados e discutidos por diferentes profissionais ao longo dos últimos anos. Esses transtornos têm suas primeiras manifestações na infância ou adolescência e são associados a uma preocupação excessiva com o peso e a aparência.

No entanto, quando a fixação pela imagem e a questão da forma corporal não aparecem, podemos estar diante de um outro grupo de transtornos alimentares, referentes a alteração da relação da criança com os alimentos.

Esses transtornos ocorrem durante a primeira infância (antes dos 6 anos de idade) e caracterizam-se por dificuldades da criança em se alimentar adequadamente. Ocorre perda de peso e os sintomas não se relacionam a nenhum problema físico, envolvendo aspectos emocionais.

Dentro deste grupo de transtornos alimentares os mais conhecido são:

- Pica do lactente ou da criança: tem como característica a ingestão de substâncias não nutritivas e inadequadas para o desenvolvimento infantil. Geralmente são consumidos terra, barro, tinta de parede, cinzas de cigarro, cabelos e insetos, por um período mínimo de um mês. Esse é um transtorno raro que pode estar associado a quadros de autismo, retardo mental ou outros transtornos psiquiátricos.

- Transtorno de Ruminação ou Regurgitação: é a volta do alimento ingerido e sua re-mastigação, que não pode ser explicada por condições médicas. Não há náusea ou esforço para vomitar e pode ocorrer após a alimentação da criança ou em outro momento.

- Seletividade Alimentar (picky eating): a criança só come determinados alimentos e se recusa a fazer qualquer alteração em seu cardápio.

Os Transtornos Alimentares na Infância diversas vezes aparecem associados à distúrbios emocionais e/ou alterações no relacionamento mãe/filho durante os primeiros anos da vida da criança, quando a figura maternagarante segurança, proteção e confiança ao filho.

Estes tipos de transtornos também podem surgir como consequências a episódios ruins ou traumáticos diante da alimentação, uma vez que a criança passa a fazer associações negativas com a comida.

O tratamento dos Transtornos Alimentares na Infância envolve toda a família. Indica-se a psicoterapia para a criança e orientação para os pais, para que estes possam intervir e melhorar a situação social, emocional e intelectualdão filho. Algumas dicas são:

* respeite o apetite da criança, sem forçar a alimentação;

* prepare refeições diferentes e com o auxílio da criança, promovendo a interação entre ela e os alimentos;

* tenha paciência na hora de apresentar novos alimentos;

* não utilize doces e sobremesas como recompensas, nem a hora das refeições como castigos.

Com interesse, paciência, atenção e informação estes quadros podem ser revertidos antes de evoluírem, para que a criança se desenvolva de maneira adequada, saudável e feliz.

 Flávia I. Carnielli (06/95142)

Sobre Flavia Ianzini Carnielli

Psicoterapeuta Clínica, sócia e membro da Clínica Psicológica M&C
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10 respostas a 60 – Transtornos Alimentares na Infância (F. Carnielli)

  1. Cristiane Moreira disse:

    Nossa, adorei o texto!
    Nao sabia sobre a existência desses transtornos. Já até vi crianças com alguns desses quadros, mas desconhecia as doenças.
    Muito bom para ficar atenta.
    Parabéns!

    • Flávia Carnielli disse:

      Olá Cristiane…
      Muito obrigada por sua participação!
      Alguns desses transtornos realmente não são tão conhecidos, não é?
      Um abraço,
      Flávia.

  2. Denise Vieira disse:

    Oi…
    Esses transtornos podem se tornar quadros de bulimia ou anorexia?
    Obrigada!

  3. Mirella Nascimento disse:

    Dra Flávia,
    Achei seu texto muito interessante e bem elaborado.
    Gostaria de perguntar de que forma a relação entre a criança e a mãe pode influenciar na origem destes transtornos.
    Obrigada e parabéns!
    Mirella

  4. Ana Beatriz Tavares disse:

    Quando eu era pequena minha mãe me forçava a comer determinados alimentos (caso contrario ficava de castigo) que até hj nao suporto… Acho que fiquei traumatizada, rs.
    Parabéns pelo texto e pelo site. Esta incrível!

  5. Olá querida!

    Adorei o tema, o texto e a forma que escreve é sempre uma delícia de ler!

    São recorrentes casos de transtornos alimentares na infância e muitos não são identificados pelos pais, por desconhecimento e desinformação.

    Por isso importante a citação dos sintomas e razões de seu surgimento.

    Um beijo grande
    Pamela

  6. Rebecca Salles da Costa disse:

    Oi!

    Muito bom esse texto!!!!

    Dra Flávia, como sei que minha filhinha está com anorexia nervosa?

    Ela não come, se recusa de todas as formas possíveis. Isso irrita meu marido, que a força a comer, levando a colher a sua boca…

    Ela chora, diz não querer… Só come besteiras… está muito magrinha e fraca.

    Obrigada

  7. André Lopes disse:

    É preciso estar sempre atento com as crianças. Já vi muitas comendo coisas do chão, mas sempre achei que fosse algo da idade, “normal”, que passasse com o tempo.

  8. Aline Copstein disse:

    Olá Flávia, parabéns pelo texto. Sou nutricionista clínica e trabalho com transtornos alimentares a partir da adolescência. Tenho me interessado por esse tema na infância também e depois das tuas colocações, mais ainda. Terias alguma bibliografia para indicar? Tenho formação em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Sistêmica, conheço a linguagem da literatura técnica da psicologia.
    Obrigada

  9. samis enilda ferreira disse:

    Olá!
    Venho pesquisando há tempos para saber mais sobre o problema do meu filho. Ele não se alimenta bem. Escolhe alimentos, tem nojo de algumas comidas, não consegue se abrir para novos sabores, entre outros comportamentos. Apesar disso, tem exemplos de alimentação variada e nutritiva em casa e informações legais sobre alimentação . Não sei mais o que fazer. Busquei tratamentos psicológicos e psiquiátricos e ainda não tenho resultado. Fico arrasada com tudo isso. Grata.

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