28 – TDAH… o que é isso? (F.Carnielli)

Todo dia é a mesma coisa… ele já acorda a mil por hora, ligado no 220, com a corda toda! Mexe em tudo o que vê, deixa os brinquedos e sapatos espalhados pela casa, corre, sobe nos móveis, vira cambalhotas pelo chão, pula na cama e no sofá, pinta as paredes, fala, fala, fala, fala, fala sem parar……… grita, ri, canta, dança, sapateia, tira energia não se sabe de onde.

Já viu alguma criança assim? Tenho certeza de que a resposta é positiva: MUITAS. Esses são comportamentos comuns na infância, grande parte das crianças é exatamente assim, o que é muito saudável, diga-se de passagem.

No entanto, algumas vezes essa agitação é tão intensa que a criança não consegue concluir nenhuma tarefa que se propõe a fazer, seja por excesso de estimulação e atividade ou por dificuldade de se concentrar naquilo o que realiza, o que faz desse quadro algo já não tão saudável.

Nesse caso, é importante investigar se não estamos lidando com o famoso diagnóstico de TDAH, ou seja, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

O TDAH geralmente aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo também na vida adulta. É uma síndrome  caracterizada por distração, agitação, impulsividade, dificuldades com organização e planejamento, entre outras, que pode prejudicar o desempenho em situações que exijam maior controle e regulação da atenção, restrição dos movimentos ou capacidade de pensar e refletir antes de agir.

Crianças com TDAH mexem-se grande parte do tempo, têm dificuldade em ficar muito tempo no mesmo lugar ou realizar a mesma tarefa por um longo tempo, são mais “esquecidas”, desatentas, distraem-se com facilidade (seja com estímulos externos ou até com os próprios pensamentos), têm desempenho escolar inferior e dificuldades de relacionamento.

Existem ainda casos em que outros diagnósticos podem estar associados ao TDAH (comorbidades), como dificuldades de fala, de escrita, de aprendizagem e ansiedade generalizada, entre outros. O tratamento do TDAH deve sempre ser multiprofissional, envolvendo psicoterapeutas, fonoaudiólogos, psicopedagogos, neurologistas, psiquiatras e outros profissionais quando necessário.

Como mostram muitos estudos na área da neurociências, 0 Déficit de Atenção e a Hiperatividade são diagnósticos que, além de fatorem ambientais, incluem componentes do funcionamento cerebral. Por esse motivo, na grande maioria dos casos, é necessário o uso de medicamentos controlados no tratamento.

A medicação mais conhecida para tratamento do TDAH é a Ritalina, de ação rápida e mais curta. Pode causar dependência e possui uma série de efeitos colaterais, razões pelas quais ainda existem muitos preconceitos relacionados ao uso desse tipo de medicamento, apesar de não haver restrições quanto a idade para consumo. Vale ressaltar que todo e qualquer remédio deve ser consumido SOMENTE com orientação médica, pois a dosagem será específica para cada tipo de paciente.

O diagnóstico de TDAH é extremamente difícil, tanto para os pais quanto para as crianças.

Os pais podem sentir-se cansados, impotentes, frustrados, muitas vezes envergonhados com o comportamento dos filhos, com raiva, tristes, magoados, culpados, esgotados…

Mas é importante lembrar que todas as vezes que se sentem assim provavelmente as crianças estão da mesma forma… vivem num cansaço extremo, preocupadas, sem relaxar nunca, pensando sempre “o que será que eu esqueci?”; geralmente têm auto-estima baixa por causa das críticas, castigos e piadas com relação ao seu comportamento inadequado, sentem-se frustradas diante de seus erros e da falta de conquistas.

É importante identificar na criança com TDAH suas potencialidades, o que ela é capaz de fazer e quando está preparada para tal. Dar apoio, incentivar… e acima de tudo estar ao seu lado para AJUDAR. Apenas isso… auxiliar quando ela não conseguir ou não puder se controlar, para dar o suporte emocional necessário em cada tipo de situação. Estar ao lado da criança para ensiná-la a solucionar seus problemas de maneira saudável, madura e satisfatória.

Flávia I. Carnielli (CRP 06/95142)

Sobre Flavia Ianzini Carnielli

Psicoterapeuta Clínica, sócia e membro da Clínica Psicológica M&C
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14 respostas a 28 – TDAH… o que é isso? (F.Carnielli)

  1. Pamela Couto de Magalhães disse:

    Flávia,

    Como já lhe disse na prévia da matéria… Adorei o texto o conteúdo está rico ( como sempre) e extremamente informativo.
    Engraçado, o TDAH é tão comum, mas de tão comum, muitas vezes passa desapercebido pelos pais, que entendem a criança como ” muuuuito agitada!!”.
    Agitação essa que passa a influenciar o aprendizado e a vida social e afetiva dessa criança… Privando seu desenvolvimento emocional e intelectual.
    Adorei tê-lo postado aqui!!!! Você está devendo o de Dislexia agora, hein????
    Beijos com muito carinho e admiração…
    Pamela

    • Flavia Ianzini Carnielli disse:

      Oi Pam…
      Muito obrigada pelo comentário e pelo carinho! Admiro seu trabalho e me sinto honrada com os elogios…
      Espero que o texto possa ajudar e esclarecer as dúvidas de tantos pais em relação a esse tema, tão comum, tão falado, mas pouco compreendido.
      Vou me programar para escrever sobre a dislexia, ok? Suas sugestões servem de incentivo…
      Um grande beijo….
      Flávia!

  2. Roberta Bougarf disse:

    Que ótimo saber disso! eu não sabia que isso se chamava TDAH!! Super interessante conhecer esses sintomas e entender o funcionamento da criança hiperativa.
    Caramba nem sabia que se usava ritalina no combate ao transtorno.

    • Flavia Ianzini Carnielli disse:

      Olá Roberta!
      Fico contente que o texto tenha ajudado a esclarecer um pouco mais esse assunto para você. Muitas vezes as crianças hiperativas são vistas como “bagunceiras”, “mal educadas”, “devagares” ou “desinteressadas”, quando na verdade sofrem com um transtorno que pode ser tratado e atenuado. Entender essa questão pode ajudar a diminuir o sofrimento dessas crianças, não é mesmo?
      Um grande beijo,
      Flávia.

  3. Laís garcia disse:

    Oi Flávia, o TDAH acomete crianças de que faixa etária? é desde o nascimento que já aparecem os sintomas?

    Um abraço e obrigada

    • Flavia Ianzini Carnielli disse:

      Oi Laís…
      O TDAH geralmente é diagnosticado em crianças de idade escolar, entre 5 e 12 anos. No entanto, existem estudos que demonstram que o diagnóstico pode ser feito precocemente, em crianças com 3 ou 4 anos, após avaliações mais complexas e exaustivas.
      Um grande abraço,
      Flávia.

  4. mariana disse:

    quando eu era pequena minha mãe morria de medo de eu ter esse transtorno!!rsssss
    Mas graças a deus não era o caso!! era um pouco pior..Brincadeira, é muito sério e triste. Legal voces colocarem aqui!

  5. Felipe disse:

    Muito interessante o assunto.
    E parabéns pelo site.
    ;-)

    abraço

  6. Rafaella disse:

    Caramba quanto transtorno que existe, a cada leitura um aprendizado e um susto. As crianças devem sofrer demais com isso. Agora toda vez que ver uma criança agitada ficarei atenta a isso. Abração

  7. Diana Alves disse:

    Gostei muito do texto Flávia! Está rico e informa aos pais este transtorno de tão difícil manejo. abraços

  8. rosangela martucci disse:

    flavia, muito bacana e esclarecedor. sabe que tenho quase 25anos de relacionamento e somente agora começo a me dar conta de conviver com alguém possuidor deste distúrbio?
    apesar de muitas fridas e cicatrizes, acha que em adultos ainda vale a pena o tratamento?
    bjns
    rosangela

    • Olá Rosangela…
      Acredito que em qualquer idade, seja em crianças ou adultos, mudanças que possam melhorar a qualidade de vida e os relacionamentos sociais das pessoas sejam sempre bem vindas, não é mesmo?
      Procure orientção médica para maiores informações sobre o tratamento com a medicação e a psicoterapia como suporte na retomada do equilíbrio emocional e na busca pelo autoconhecimento.
      Grande beijo,
      Flávia.

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