31 – Dislexia (F.Carnielli)

Conforme sugerido pela Pamela há alguns dias, resolvi escrever sobre a Dislexia pois acredito que, assim como o TDAH, esse também é um assunto bastante falado, mas que ainda traz uma série de dúvidas e questionamentos.

Mas o que é Dislexia afinal? É uma doença? Tem cura? Precisa de medicação? Caracterizada como um distúrbio de aprendizagem, a Dislexia apresenta-se por problemas nas áreas da leitura, escrita e soletração, ocasionando dificuldades na associação dos símbolos das letras e na compreensão das palavras.

Podem existir também dificuldades na linguagem e no raciocínio lógico e matemático, que nada tem a ver com falta de interesse, vontade ou motivação. Não existem problemas neurológicos (apesar de uma base orgânica), nem alterações de visão ou audição que sejam significativas.

É um quadro bastante complexo de ser diagnosticado pois muitas vezes seus sinais e sintomas se confundem com dificuldades escolares ou falhas na alfabetização. Por este motivo, a Dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multiprofissional, após avaliação criteriosa e especializada.

Geralmente, o diagnostico é feito na fase de alfabetização da criança, quando leitura e escrita começam a ser introduzidas. No entanto, crianças menores podem apresentar sinais importantes de serem observados, entre eles:

  • atraso na linguagem;
  • dificuldades para se expressar oralmente;
  • dificuldades para compreender o que é falado;
  • dificuldades de orientação em tempo e espaço;
  • dificuldades em perceber sons e rimas nas cancões;
  • pouco desenvolvimento da coordenação motora;
  • dificuldades de concentração.

Associados a esses problemas, na fase escolar a criança apresenta desorganização geral, vocabulário pobre e sentenças curtas, pouca habilidade na solução de problemas matemáticos, troca de letras na escrita, confusão entre direita e esquerda, dificuldades com a memória e melhores desempenhos em atividades orais.

Como consequência, surge um constante sentimento de frustração e incapacidade, e a criança passa a se sentir desvalorizada, desmotivada, ansiosa, deprimida, com baixa autoestima e emocionalmente fragilizada, podendo ter prejuízos inclusive em seus relacionamentos afetivos e sociais. É nesse momento que a psicoterapia aparece como parte importante do tratamento (além do acompanhamento com neurologista, fonoaudiólogo e psicopedagoga), para acolher as angústias existentes, resgatar o equilíbrio emocional e reconquistar a auto-confiança.

É importante ressaltar que o fato de uma criança apresentar alguns dos sintomas citados anteriormente não indica necessariamente que ela seja disléxica, pois como dito acima o diagnóstico é complexo e exige cautela. Certamente reconhecer esses sinais abre espaço para que ela seja olhada com cuidados, a fim de que seja realizado o acompanhamento do caso. Conhecendo as dificuldades e as potencialidades da criança, o tratamento é eficaz e progressivo.

A criança com Dislexia cria sua própria lógica e aprende a contornar seus obstáculos. É preciso grande esforço pois eles o acompanharão a vida toda, mas com o tratamento adequado, além de apoio e muito amor e carinho, é claro, é possível criar estratégias de leitura e escrita para compensar as dificuldades.

“Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete
a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que
aprende de maneira diferente”

Flávia Ianzini Carnielli (CRP 06/95142)

Sobre Flavia Ianzini Carnielli

Psicoterapeuta Clínica, sócia e membro da Clínica Psicológica M&C
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8 respostas a 31 – Dislexia (F.Carnielli)

  1. Pamela Couto de Magalhães disse:

    Primeiro…ADOREI o texto..Impecável!!

    Segundo… pedi para você escrever sobre esse tema, pois já tive contato com alguns casos de dislexia e o sofrimento dos pais me tocou muito.
    Constatei durante o processo de acompanhamento de pais com filhos disléxicos, descobertas surpreendentes de filhos extremamente talentosos nas mais diversas áreas.
    Como seu texto mesmo diz, a criança disléxica tem uma maneira individual de aprender, que difere da padrão e por isso necessita da adaptação especial…
    Me lembra a história do Patinho feio…, que assim era visto por todos, até descobrir que se tratava de um bélíssimo Cisne.
    Abraços a todos.

    • Pam,
      É exatamente isso… a criança disléxica muitas vezes é vista como preguiçosa, menos esforçada ou até menos inteligente que as demais. No entanto, quando recebe atenção e tratamento adequado demonstra capacidades intelectuais, motoras e cognitivas surpreendentes.
      Um grande beijo,
      Flávia.

  2. Wanessa Jacks disse:

    Oi, a dislexia foi um tormento durante muitos anos da minha vida. Minha mãe buscou todo o tipo de ajuda que pôde para descobrir o que eu tinha, e nunca consguia achar uma solução.
    Até que encontrarmos um médico maravilhoso que diagnosticoou o transtorno e conseguumos encontrar o caminho.
    abraço

  3. Josiane disse:

    Dra Flávia,

    Meu filho tem 05 anos e tem enurese. Como posso tratá-la? a psicoterapia é indicada???? Não sei mais o que fazer.
    MInha irmã passa com sua sócia, e ela me indicou você para atendimento infantil. Gostaria de saber se nesse caso a psicoterapia pode realmente tratar o problema.
    Grata

    • Oi Josiane…
      A enurese infantil pode ter diversas causas, incluse pisoclógicas. Acho importante uma avaliação do pediatra do seu filho para excluírmos qualquer hipótese de origens orgânicas. Feito isso, a psicoterapia infantil é bastante indicada e pode trazer resultados significativos. A dificuldade no controle do xixi pode representar um conflito emocional que a criança não entende e não sabe como expressar.
      Qualquer dúvida sobre o processo terapêutico entre em contato, ok?
      Abraços,
      Flávia.

  4. Helena disse:

    Tem um filme muito bom sobre dislexia que preciso lembrar o nome, queria deixá-lo aqui como referência, pode ajudar as pessoas…Assim que lembrar falo para vocês…

    Muito difícil lidar com essa situação de ter um filho dislexico.
    Um beijo

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