39 – Dedinhos ou Chupetas? (F.Carnielli)

Todo papai e mamãe, principalmente os de primeira viagem, se veem diante deste dilema: e agora, deixo ou não deixo meu filho usar a chupeta? Oh dúvida cruel…

E aí vem tia, madrinha, vó, vizinha, cada uma com um palpite, cada uma com sua superstição, sua sabedoria popular, seu ensinamento de vida. Qual deles está certo? Qual está errado? Qual devo seguir?

Graças aos exames de ultra-sonografia feitos pelas mamães enquanto ainda estão grávidas, não é difícil ver que, já na barriga o bebê aparece chupando o dedo ou com a mãozinha na boca, mais ou menos na metade da gestação. Nos recém nascidos, esse hábito aparece quase como um instinto.

Isso porque nesse fase, que vai de 0 (zero) a 18 meses, a criança tem maior necessidade de sucção. É um momento de grande importância para o desenvolvimento nutricional e emocional do bebê, e sua boca é a primeira parte de seu corpinho que começa a se relacionar com o mundo. Durante a amamentação, ele recebe o alimento, mas também o carinho e afeto de sua mãe. É a partir dessa boquinha que a criança começa a perceber que tem necessidades (como a fome, por exemplo) e que pode ser satisfeita.

Ao mamar a criança se acalma e tem suas tensões aliviadas, e assim vai aprendendo a se controlar. É a fase em que grande parte da energia vital se concentra na região da boca, e por esse motivo sugar torna-se extremamente prazeroso.

Com o passar do tempo, os dedinhos e chupetas vão ganhando outra função. Sugar já não é mais uma necessidade, mas sim uma tentativa de obter conforto, acolhimento. Sempre que se sente sozinha, ansiosa, angustiada ou diante de uma situação desagradável, a criança chupa o dedo ou procura a chupeta para sentir maior segurança.

Por volta dos 3 anos, as crianças começam a ter outros interesses e satisfações que a deixam bastante ocupada, ocupada demais para lembrar do dedo ou da chupeta. Mas, algumas delas não esquecem dos velhos companheiros tão fácil assim. Nesses casos é importante observar o que a criança tenta dizer com a continuidade dos hábitos antigos. Ela pode estar passando por algum momento mais difícil, que gere maior estresse e ansiedade, como a entrada na escola ou o nascimento de um irmãozinho, por exemplo. Esse comportamento provavelmente será transitório e irá desaparecer a medida que se sinta segura.

Contudo, caso isso não ocorra, é preciso que os pais intervenham de maneira mais assertiva. Retirem a chupeta ou dedo da boca da criança de maneira delicada, mas firme, iniciando em seguida alguma atividade com ela que a distraia. É preciso também muita paciência, dedicação e compreensão, pois a criança nunca deve ser repreendida por estar chupando o dedo ou a chupeta.

Para as crianças que chupam chupeta, essa pode ser uma tarefa mais fácil, pois podem abandonar suas “amigas” em qualquer lugar, ou até mesmo dá-las para a “fada da chupeta”, pro Papai Noel… Aquelas que chupam o dedo têm uma missão mais difícil, pois a “tentação” está presente o tempo todo.

Essa pode ser uma ótima oportunidade para dar às crianças mais atenção e oferecer bastante carinho.

Flávia Ianzini Carnielli (CRP 06/95142)

 

Sobre Flavia Ianzini Carnielli

Psicoterapeuta Clínica, sócia e membro da Clínica Psicológica M&C
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13 respostas a 39 – Dedinhos ou Chupetas? (F.Carnielli)

  1. mara disse:

    Oi! Flavia…

    Adorei o tema.
    E quanto carinho é preciso para que a criança possa tirar o dedinho ou a chupeta da boca, para poder sentir-se seguro e confortável ,não é?
    Pois é necessário lembrarmos ,que existe uma razão muito importante para que isso ainda esteja acontecendo…
    bj da mara

  2. Querida amiga,

    Adorei o tema, é realmente um eterno dilema… Muito bacana colocá-lo aqui…

    A chupeta, tal como os dedinhos, o roer das unhas e até a voracidade oral são reflexos de um núcleo de carência apontando a necessidade de ser revisto e reestruturado…

    Um beijo enorme,
    Pam

  3. Lara disse:

    Flávia que interessante, quando demoramos para tirar as chupetas a dentição da criança pode ficar prejudicada. Com minha filha foi super dif[ícl, tanto que ela chupava a chupetinha escondido..

    • Olá Lara…
      É verdade… existem consequências, além das psicológicas, envolvidas no uso das chupetas e dos dedinhos, que devem sempre ser observadas pelos pais.
      Obrigada por dividir sua experiência com a gente!
      Um grande abraço…
      Flávia.

  4. Soraia Gusmão disse:

    fofíssimo o texto!! adorei!útil também

  5. Sumaya disse:

    Dra, o fato dos pais terem uma vida agitada com horários comprometidos e pouco tempo para os filhos pode deixá-los mais carêntes. Percebo que isso influencia na dificuldade em largar chupeta e mamadeira. Isso procede? Obrigada

  6. Fabiana disse:

    esse tema é muito bacana flávia. queria saber se a mamadeira tem função de substituição ou reparação afetiva. Abraços

    • Oi Fabiana….
      A mamadeira tem exatamente as mesmas funções que os dedinhos e as chupetas… pode ajudar a criança a suportar uma ausência (especialmente a da mãe), ou ainda servir de auxílio nos momentos de intensos conflitos e angústias.
      Grande abraço,
      Flávia.

  7. ana disse:

    adorei o texto;
    bj da ana

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